terça-feira, 6 de setembro de 2011

Por que Joseph Stalin pactuou com Adolf Hitler?

Miguel Ángel del Pozo
Publicación Barómetro

O historiadores tem refletido sobre algumas realidades históricas que tem se desenrolado no acontecer internacional com suas incidências nas relações internacionais tanto pelos próprios conteúdos daquelas realidades como pelas consequências que, evidente e objetivamente, incidem nos desenvolvimentos históricos globais e, portanto, na geopolítica e geoestratégia internacionais. Referimo-nos a decisões políticas passadas por um determinado ator buscando a consecução e/ou seu desenvolvimento segundo finais pré-determinados que buscariam consolidar a preeminência e controle de poderes em suas relações com outros atores internacionais. Quiçá haja sido uma dinâmica histórica que as "potencias temporais" tenham exercido em suas expansões tanto de caráter imperial como sub-imperiais; por exemplo, em datas recentes, as decisões tomadas por Washington são, profundamente, diferentes das tomadas em Paris, Roma, Madrid e Londres quando nos referimos ao "caso Líbia" logo que se "protegeram" sob o teto da OTAN. O mesmo se poderia propor para os casos do Iraque, Afeganistão e o da Síria "em pleno desenvolvimento".

Por que as potencias imperial e sub-imperiais decidem desenvolver guerras quando desde o instante da decisão tomada são guerras onde se violam, absoluta e sistematicamente, todos os direitos humanos tanto das sociedades afetadas quanto das sociedades dos governos participantes-invasores com a sociedade dos países afetados sofrendo as consequências tanto humanas quanto econômicas e psicológicas que as guerras, em sua definição mais fundamental, acarretam com seus desenvolvimentos lógicos como, por exemplo, o alto número de suicídios de militares ianques que participaram no Iraque e Afeganistão assim como os cenários psico-sociais que cidadãos vietnamitas causam cotidianamente como consequência da "Guerra do Vietnã"? Qual dos escritores de leitura obrigatória teria a verdade nos conteúdos de seus escritos quando de se trata de relações entre países diferentes procura-se a imposição, em qualquer de suas modalidades, de diretrizes político-ideológicas de um ou uns sobre o outro ou os outros como a História já expressou e nos ensina nas realidades e consequências do Império romano, daquele de onde o sol nunca se punha, da decadência vitoriana e/ou diretrizes dos Pais Fundadores?

Esta sequência de ideias, nos obrigam a perguntar-nos como seriam as decisões dos atores nacionais ante possíveis cenários de violência dirigida, geralmente, além das fronteiras conjuntamente com setores sociais locais que se estimulam mais pelas ambições pessoais que pelas racionalidades nacionalistas como tem sido os casos Iraque-petróleo; Afeganistão-ópio; Líbia-petróleo-gás-ouro-água, só para ficar em cenários de fácil lembrança? É evidente que a virtude do nacionalismo tem estado muito abaixo das ambições de atores econômicos que utilizam como títeres setores políticos e/ou aprendizes de políticos quando de atores nacionais nos referimos sem negar a participação dos paradigmas ideológicos como, por exemplo, se expressaram no interior dos atores que participaram do "Golpe de Abril, 2002" contra o Presidente Chávez Frías.

As guerras são uma necessidade e/ou são processos históricos inevitáveis? Qual é a razão lógica das guerras? As guerras são ações exclusivas do sistema capitalista e/ou são da lógica história no processo de aperfeiçoamento do desenvolvimento humano? Impõe-se, frequentemente, a irracionalidade à lógica da preservação da espécie humana? Teologicamente, a guerra tem sua razão de ser no pecado original, isto é, na soberba?

Nesta ordem de ideias, como nos referíamos acima, os historiadores estão investigando sobre situações concretas. A primeira delas refere-se às possíveis razões que induziu Joseph Stalin a assinar um tratado de paz com a Alemanha governada por Adolfo Hitler. A segunda interrogação estaria relacionada com o conhecimento por Washington do ataque japonês a Pearl Harbour. Ambas inquietações expressam uma profunda preocupação com o conhecimento do sucedido no golfo de Tonkín e as armas hiper-malucas que Saddam Hussein tinha enterradas mais próximas do inferno que da superfície terrestre, só para mencionar duas realidades históricas.

A tradicional e importante revista catalã "El Viejo Topo" entrevistou a historiadora francesa Annie lacroix-Riz, professora de História Contemporânea na Universidade Paris VII Denis-Diderot, especialista em Relações Internacionais no século XX, isto é, uma autoridade respeitada. A entrevista leva como título: "De complots y sinarquía" foi realizada por dois historiadores, José Luis Martín Ramos e Alejandro Andreassi, isto é, tudo em casa mesmo (El Viejo Topo. Nº 275. Barcelona, dezembro, 2010, pp 58-61). Conhecemos os conteúdos de "El Viejo Topo" desde sua fundação e apreciamos a qualidade de seus conteúdos para pessoas com sensibilidade social.

A historiadora Lacroix-Riz nos diz, baseando-se em suas investigações "...que os 'Pacificadores' franceses e britânicos só deixaram aos soviéticos a solução de um compromisso provisório com o Reich..." (Idem, pág. 59) Está nos dizendo a excelente intelectual que tanto París como Londres tinham conhecimento das realidades geopolíticas e geoestratégicas às quais se enfrentava a Rússia Soviética ante a necessária expansão das hostes armadas de Adolf Hitler na obrigação imperiosa de alcançar os campos petrolíferos da região de Bakú não só para manter o processo bélico mas para controlar as realidades em contradição às quais se haviam enfrentado as coroas europeias testadas não só a partir dos desenvolvimentos obrigados do sistema capitalista em sua etapa superior em seus processos expansivos do século XIX mas nas lições objetivas da Primeira Guerra Mundial? Deixemos que seja a historiadora Lacroix-Riz que nos responda em suas próprias palavras quando nos informa que "...[Winston Churchill] manifestou que 1º de outubro de 1939 foi muito sincero quando em um discurso transmitido pelos meios de radiodifusão confessou sentir-se satisfeito pela presença das "forças russas [...] na Polônia para bloquear qualquer avanço nazista até o Este..." (Ibidem) Porque Joseph stalin, analisando objetivamente suas próprias "debilidades e fraquezas" no melhor estilo de Sun Tzu, se viu na imperiosa necessidade de alcançar aquele tão criticado acordo de paz com a Alemanha nazista. A entrevistada colabora conosco quando expressa a seus entrevistadores que "...Ao negar-lhe uma aliança defensiva automática e recíproca [a Joseph Stalin] como a que se produziu em 1914, os 'Pacificadores' já sabiam desde 1933 -seus  embaixadores e adidos militares os haviam informado regularmente desde então- que a falta de uma aliança desse tipo, Moscou, obrigada a combater sozinha contra o Reich, buscaria um arranjo nesse sentido para adiar a data de vencimento..." (Idem; trecho em negrito de nossa responsabilidade).
 
A História tem suas verdades e ensinamentos.


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Publicação Barómetro 01-09-11

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